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A importância de Adão Voloch para a história política campista

Adão Voloch era originário do Rio Grande do Sul. Nascido na colônia agrícola Filipson em 1914, em terras do que é hoje o município de Santa Maria. A colônia foi criada pela Companhia Israelita de Colonização (ICA), para promover a migração de judeus. Daí que os pais de Voloch tenham ido para lá.

Ele deixou cedo a região para tentar a vida em Porto Alegre. Mas passando por várias cidades até alcança-la. Foi numa delas, Cruz Alta, que ele começou a militar pelo PCB, por volta de 1932, com 18 anos incompletos. E logo que começou foi preso. Sendo solto com ajuda de Érico Veríssimo, que comprava doces feitos por sua mãe dona Tereza.

Ele chegaria a Campos em 1937. Por orientação do Partido. Foi trabalhar como guarda-livro na Usina Novo Horizonte. Onde tratou de organizar os trabalhadores de lá no sindicato. A partir de 1945, com o fim da II Guerra e com a volta do PCB à legalidade ele se engajaria de maneira incansável pela reconstrução do Partido na cidade. Com a cassação do registro da agremiação em 1947, ele não esmoreceria no trabalho de militância, mas passaria a sofrer severamente com a repressão da polícia local, seria até demitido da Novo Horizonte. Sem contar as várias agressões físicas que acabou sofrendo. Mas perseveraria.

Seria eleito vereador nas eleições de outubro de 1947, pelo Partido Libertador (espécie de partido laranja dos comunistas, para driblar a proibição do TSE).

E chegando à Câmara em fins de 1949 (ele fazia parte de um mandato coletivo, com várias comunistas fazendo rodízio), ele já mostraria do que estava disposto a fazer no legislativo campista.

Em dezembro de 1949, para escândalo de vereadores ultra-conservadores – como o Padre Rosário (um dos artífices da TFP em Campos) - ele dedicaria um discurso à comemoração do 70º aniversário de Stalin, por seus “longos e fecundos anos de lutas e trabalhos por uma humanidade feliz”. O Voz Operária de 20 de janeiro (p. 10) fazia questão de exibir a íntegra dele:

Sejamos positivos. De um lado Truman armazena bombas atômicas para destruir cidades e arrazar(sic) populações, de outro lado Stalin remove montanhas com a energia atômica para fertilizar desertos.

Todos os povos que mantêm de pé aqueles compromissos, saudam a Stalin o fator de paz e segurança de vitória contra a agressão e a rapina imperialista.

Terminando, Sr. Presidente, Senhores Vereadores, a vida de Stalin se funde nestas palavras: o único mal é a exploração do homem pelo homem; a única tarefa, instaurar uma ordem que não haja lugar para a exploração; o único dever, contribuir para a luta em prol dessa ordem social, a única pauta para julgar a conduta humana, verificar se contribui ou se opõe a causa do socialismo.

Tal discurso seria censurado pela direção dos trabalhos da mesa. Ele não sairia nas Atas da Câmara. Os principais jornais campistas, como o Monitor Campista, classificariam tal ato como uma afronta aos valores democráticos, propaganda descarada do credo comunista, vilipêndio do estado democrático de direito. 



Voz Operária, 20/01/1950, p. 10.


Coincidentemente, Voloch seria preso em Macaé dias depois. Solto, voltaria a incendiar a Câmara e as ruas de Campos com sua militância.

Da Câmara ele sairia quase enxotado em 1950, obrigado a renunciar diante de tanta pressão dos seus pares anti-comunistas. Da cidade, ele iria embora dois anos depois. Mais do que desgastante e sofrida, sua permanência ali tinha se tornado perigosa, principalmente em termos de sua integridade física.


                           

Prontuário 16.231. Fonte: Fundo DEOPS, Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro


Essas e outras histórias falam muito a respeito de um personagem praticamente sepultado da memória política de Campos. Injustamente, já que ele protagonizou momentos marcantes de um dos períodos mais especiais da história recente da cidade. Esse espaço será largamente utilizado para divulgar a pesquisa sobre as experiências de que Voloch tomou parte em terras campistas, apontando seus feitos, desafios, percalços e paixões.

As linhas acima são apenas um pequeno resumo de sua rica, embora breve, trajetória em Campos. Escreveremos muito mais a respeito adiante.


Leonardo Soares dos Santos

Professor da UFF/Campos, coordenador do grupo de estudos "Campos de Histórias" e editor-chefe da Revista Convergência Crítica.

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